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#01
In Dogs We Trust
por Marco Gurgel
A humanidade cultiva um caso de amor com os cães. Nenhuma espécie do reino animal nos acompanha, comove, cura e desarma com tanta graça.
A história está repleta de mulheres cuja relação com seus cães acabou incorporada à própria imagem. Coco Chanel tinha em Gigot, seu dogue alemão, muito mais que um pet: um parceiro inseparável. Audrey Hepburn levava Mr. Famous, seu Yorkshire terrier, para sets de filmagem e chegou a colocá-lo na cestinha da bicicleta entre uma cena e outra. Lee Radziwill aparecia com Thomas, seu pug, até no Ritz.
A Rainha Elizabeth II construiu uma vida inteira ao redor de seus corgis, começando por Susan, que chegou a acompanhá-la na lua de mel. Gisele atravessou sua ascensão ao lado de Vida, sua Yorkie, que apareceu inclusive em editoriais de moda. E, na virada do milênio, Paris Hilton transformaria Tinkerbell em símbolo dos anos 2000, levando o pequeno Chihuahua embaixo do braço por tapetes vermelhos, lojas e noites de Los Angeles
A Rainha Elizabeth II construiu uma vida inteira ao redor de seus corgis, começando por Susan, que chegou a acompanhá-la na lua de mel. Gisele atravessou sua ascensão ao lado de Vida, sua Yorkie, que apareceu inclusive em editoriais de moda. E, na virada do milênio, Paris Hilton transformaria Tinkerbell em símbolo dos anos 2000, levando o pequeno Chihuahua embaixo do braço por tapetes vermelhos, lojas e noites de Los Angeles
“Na minha formação como stylist, aprendi que poucos elementos são capazes de sensibilizar tanto o olhar numa imagem de moda quanto um cachorro em cena.”
Um dos primeiros registros é de 1898, quando a Vogue americana pôs um collie na capa.Para construir o imaginário da coleção deste mês, fomos a fundo nesse repertório. Helmut Newton, que gostava de mulheres fortes e as fotografava com cães à altura delas. Herb Ritts, que clicou Kate Moss com um dogue arlequim nos braços. E Slim Aarons, o fotógrafo que inventou a nossa ideia de glamour à beira da piscina e que achou que um poodle saindo do cabeleireiro em Deauville merecia virar história.
Nas estampas figurativas da coleção, poodles, dálmatas e dobermans são os verdadeiros protagonistas. Aparecem sozinhos ou comandando seus passeios, nunca como acessórios. Mais do que animais de estimação, pertencem àquele vocabulário de jet set: quase socialites, extensões do estilo, da casa e da vida de quem os acompanha.
Nas estampas figurativas da coleção, poodles, dálmatas e dobermans são os verdadeiros protagonistas. Aparecem sozinhos ou comandando seus passeios, nunca como acessórios. Mais do que animais de estimação, pertencem àquele vocabulário de jet set: quase socialites, extensões do estilo, da casa e da vida de quem os acompanha.
Enquanto produzíamos nosso shooting, a Vogue americana lançou a terceira edição da Dogue: celebridades como Bad Bunny e Millie Bobby Brown emprestaram seus pets para uma série de capas. Há um porquê nesse zeitgeist, e arrisco que seja mais profundo que a fofura e a comoção que a imagem de um cachorro provoca.
“Depois de anos de beleza corrigida, filtrada, artificial, o animal carrega justamente aquilo de que estamos carentes: imprevisibilidade, espontaneidade, verdade.”
É desse repertório que vêm as linhas das casas mid-century, a exuberância do Miami Modern, o design Déco e os letreiros camp. Na cartela fria desta coleção, o pink afuchsiado é destaque entre nuances de lilás, roxo e azul, numa sensação neon.
Nos anos 90, Miami soma outra camada: uma atitude hedonista. Em 1992, Gianni Versace comprou a Casa Casuarina, em Ocean Drive, e se tornou uma das figuras centrais da nova South Beach. A mansão virou ponto de encontro de modelos, artistas, fotógrafos, editores e celebridades.
O Miami Subs, lanchonete aberta a madrugada inteira, vendia Dom Pérignon no cardápio, em combo com um balde de chicken wings. Diz a lenda que Madonna parava no drive-thru à meia-noite e a garrafa entrava pelo teto solar da limusine.
Nos anos 90, Miami soma outra camada: uma atitude hedonista. Em 1992, Gianni Versace comprou a Casa Casuarina, em Ocean Drive, e se tornou uma das figuras centrais da nova South Beach. A mansão virou ponto de encontro de modelos, artistas, fotógrafos, editores e celebridades.
O Miami Subs, lanchonete aberta a madrugada inteira, vendia Dom Pérignon no cardápio, em combo com um balde de chicken wings. Diz a lenda que Madonna parava no drive-thru à meia-noite e a garrafa entrava pelo teto solar da limusine.
O espírito daquele tempo foi definido pela liberdade, pela irreverência, pelo prazer de se mostrar e pelos excessos praticados em público, sem ironia e sem culpa. Moda e lifestyle não se descolavam.
“É esse sentimento que queremos revisitar. Uma atitude unapologetic e sensual, em que chamar atenção não significa falta de sofisticação. Cor e extravagância convivendo naturalmente, sem precisar de justificativa.”
Da mesma cena, trazemos os minivestidos baby doll, que atravessaram a noite daquela década como uniforme das it girls. E foi Gianni quem fez deles a tradução exata de uma feminilidade que podia ser doce, sexy e exuberante ao mesmo tempo.
Para personificar essa mulher, olhamos para as supermodelos dos anos 90. Não apenas pelo mito que construíram, mas pela maneira como sintetizavam aquela época: independentes, ultra glamourosas, sexy, seguras do próprio impacto e completamente à vontade naquela opulência.
A inspo para a beauty da campanha vem de um visual icônico de Naomi Campbell: o liso médio escovado com as pontas viradas para fora, a pálpebra prateada bem marcada e a boca noventista, de contorno escuro e centro claro, num rosa acinzentado.
A inspo para a beauty da campanha vem de um visual icônico de Naomi Campbell: o liso médio escovado com as pontas viradas para fora, a pálpebra prateada bem marcada e a boca noventista, de contorno escuro e centro claro, num rosa acinzentado.